Gabriela Horvath


ALTERNATIVAS DE SOLUÇÃO PARA O COMÉRCIO AGRÍCOLA INTERNACIONAL, A ESCASSEZ HÍDRICA E OS BIOCOMBUSTÍVEIS.

A escassez dos recursos naturais nos levou a criar outras formas para garantir energia e alimentos nos fazendo ir em busca do desenvolvimento energético sustentável. Este desenvolvimento pode ser entendido como continuidade nos avanços tecnológicos e modo de vida, sem que haja a necessidade de retrocedermos e voltarmos ao modo de vida de populações mais primitivas não por falta de conhecimento, mas por falta de recursos.

 

O foco está naquilo que podemos ter controle sobre sua criação. A agricultura desempenha este papel. Como é o caso da produção de combustíveis por intermédio de produtos agrícolas. O biocombustível, por exemplo,  como energia renovável, pode não ser mais reconhecido como tal, já que a denominação renovável é aplicada a fontes de energia que se renovam com maior fluxo que seu consumo. Este não tem sido o caso.

Verificamos anteriormente como a produção agrícola está ligada à vida do homem , tanto na produção de alimentos para a sobrevivência, como na produção de biocombustiveis para como o desenvolvimento.

 A agricultura necessita de um volume grande de água e por isso novas tecnologias são desenvolvidas para superar sua escassez, pois embora as reservas aqüíferas sejam ainda abundantes em algumas regiões do planeta são mal distribuídas.

Há países que esbanjam água de maneira irracional e outros que nem o mínimo têm para a sobrevivência.

 A má gestão do sistema econômico e falta de planejamento dos setores agrícola, industrial e até mesmo de indivíduos em suas casas, além do modo de lidar com o meio ambiente, levaram à escassez de água. Atualmente consome-se um volume de água muito maior do que se pode captar.

Conforme o estudioso do assunto Délcio Rocha (2007), a falta de alimentos até o momento se deve exclusivamente à má distribuição de renda. Ele acredita que no futuro próximo onde o crescimento populacional e a falta de recursos naturais sejam o fator principal da escassez de alimentos, esta poderá ser superada com avanços tecnológicos que aumentarão a capacidade de produção. Porém com relação ao crescimento populacional, a Europa, uma grande defensor de biocombustiveis, pode não sofrer tanto em relação a este fator, já que a estimativa é de diminuição de sua população.

Rocha (2007) acredita na biotecnologia e engenharia genética como áreas de conhecimento para ajudar no cultivo em regiões de temperaturas extremas, ou seja modificando os organismos até que sejam capazes de serem cultivados tanto em áreas muito frias como em áreas secas.

Assim, podem até contribuir para a redução de custos e produzir cultivos destinados tanto como alimentos, como biomassa. Porém há protestos da sociedade civil contra qualquer tipo de transgênicos e do uso de agrotóxicos. No Brasil, o Greenpeace, o MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e os trabalhadores rurais estão unidos lutando por seus interesses contra os transgênicos.

O Brasil possui área para esse tipo de pesquisa onde estão em voga a soja, o milho, o algodão e a canola. 

Rocha segue alertando que o uso inadequado de recursos e a contaminação ambiental também fazem parte do cenário de escassez de alimentos e recursos naturais. Estes fatores seriam facilmente solucionados com uma maior inspeção, irrigação e máquinas sofisticadas para reduzir o desperdício na colheita.  Além disso, teoricamente uma  agregação de valor a estes produtos aumentaria a renda dos trabalhadores rurais e aumentaria a oferta de emprego.

Um outro fator que segundo Rocha (2007) beneficiaria a produção agrícola seria o acesso a informação por todos os produtores rurais. Isso significa conhecimento sobre pesquisas recentes, orientações técnicas e racionalização para um melhor plantio e comercialização.

Assim se torna importante, para Rocha, que o Brasil continue investindo em pesquisa, pois a transmissão de conhecimento é muito limitada entre os países. O Brasil segundo Rocha é competente na geração de tecnologia agropecuária e deve continuar recebendo estimulo para pesquisas incluindo meios para o suprimento de alimentos no futuro.

Soares (2007), ex-presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS), acredita que no caso do Brasil é possível abastecer regiões semiáridas, já que o país possui quase 20% de toda a água doce disponível na Terra, mas há divergência de interesses, inclusive políticos.

A Lei brasileira 9.433, de 08 de janeiro de 1997, “determina, no seu capítulo I, os fundamentos da política nacional dos recursos hídricos. E afirma que “a água é um bem de domínio público, um recurso natural limitado, dotado de valor econômico” (SOARES, 2007). Ou seja, a água teoricamente deveria ser acessível a todos, pois nada pode ser mais essencial à sobrevivência do homem do que a água.

Segundo o autor além das medidas políticas, o Brasil necessita investir mais na educação quanto ao uso correto e a preservação das águas, proteção dos mananciais, etc. Além disso, os encargos às empresas que não cumprirem com suas obrigações ao meio ambiente devem ser mais rigorosos.

Atualmente há empresas que se dedicam a reutilizar a sua água até mesmo por uma questão de economia nos gastos da empresa.

Não podemos esquecer também que no Brasil o fornecimento de energia elétrica baseia-se em hidrelétricas, assim a escassez de água acarretaria também em mais um elemento: a restrição à eletricidade.

A dessalinização da água tem sido uma opção frente à escassez. A tecnologia da destilação já foi utilizada pela Marinha americana durante a Segunda Guerra mundial.

A pesquisadora Rushanara Ali (2006) explica que há duas formas para a dessalinização da água. A primeira é fervendo-a para eliminar impurezas e o sal recolhendo-se assim o vapor (procedimento usado na antiguidade pelos os egípcios, persas e gregos).  A segunda vem se tornando cada vez mais popular desde a década de 70. É um sistema de filtragem chamado osmose reversa.

                                    “A água bombeada é projetada por meio de uma forte pressão contra uma membrana que retém as moléculas maiores de sal e deixa passar as moléculas menores de água limpa. Contudo, os filtros são eficientes apenas em parte, e a água precisa ser pressurizada e passar pelos filtros várias vezes até conseguir ficar limpa. Ambas as tecnologias requerem grandes quantidades de energia... Hoje, a capacidade global de dessalinização aproxima-se de 10 quilômetros cúbicos por ano - ou seja, cerca de 3% do abastecimento global em água corrente doméstica. Os dois terços desta capacidade são dedicados ao processamento da água do mar, e o restante à limpeza de águas salobras subterrâneas... Com isso, a água dessalinizada responde por apenas um décimo de 1% do total da água utilizada” (ALI, 2006).

  Grande parte dos processos de dessalinização são produzidos nos países do Golfo em especial na Arábia Saudita.

Com o avanço desta técnica o acesso se torna mais facilitado e o valor mais acessível. Porém é preciso levar em conta a enorme demanda em energia da dessalinização.

 

A tecnologia de desalinização tem avançado rapidamente, mas o custo é em torno de um dólar por metro cúbico, assim, “desalinar” água para uso agrícola, até o momento, se torna inviável.  Algumas das propostas de solução para a escassez de recursos, como a desalinização de águas do mar nos fazem perceber que será necessário uma reformulação de conceitos e leis internacionais, pois neste caso em especial, não nos permitiria identificar quem é o verdadeiro "dono" da água.

Certas plantas chamadas “halófitas” possuem capacidade de desenvolvimento em ambiente salino e há a possibilidade de utilizá-las para a criação de biomassa.

Além da desalinizasão de águas os autores indicam mais fontes alternativas de água.  As águas superficiais, ou subterrâneas, para irrigação são uma delas. Há águas que se não forem tratadas trazem risco à saúde, tanto para os consumidores dos alimentos produzidos nestas águas, quanto para os próprios agricultores. Wulf Klohn e Bo Appelgren (1999) relatam que com um bom tratamento aproximadamente 60% da água urbana pode se recuperar.

Há ainda a alternativa de utilização de água das chuvas. Compreende uma série de meios para captar a água das chuvas. A forma mais usada é a utilização de cisternas, que traz a vantagem do não pagamento de tributos e auxilia as regiões áridas nas quais não há precisão metereológica. Faz-se assim, maior uso da água das chuvas a fim de reduzir sua evaporação improdutiva.

Outra opção é a chamada captação de nuvens. Em certas regiões como no Chile, Peru e Namíbia, ocorrem densas e prolongadas névoas. A água contida nesta névoa é captada utilizando uma bateria de cabos ou fios. O método é eficaz, porém a quantidade adquirida normalmente é muito pequena.

Há também as chuvas artificiais. Fazer chover conforme sua necessidade,  sempre foi o desejo do Homem. Atualmente há técnicas que permitem estimular a precipitação de chuvas em certos tipos de nuvens.  Para que isso ocorra é preciso a infiltração de sais para que gerem partículas de água nas nuvens.

Este método não é prático, pois não é possível provocar chuvas artificiais quando não há nuvens adequadas. Além disso, ainda não está provado que as chuvas ocasionadas se devem ao método ou ocorreram por causas naturais.

Se provada a eficácia do método, é até possível que hajam exigências nos tribunais para ter o direito a chuvas. Além das questões legais, a inviabilidade econômica também é um grande fator contra o método.

Países onde as áreas cultiváveis estão encolhendo é preciso priorizar atenção para garantir a produtividade do solo.  “E cada vez mais, a elevação da produtividade hídrica é a chave para maiores ganhos de produtividade do solo” (BROWN, 2003).

Brown explica que se agentes de extensão rural fossem treinados em técnicas de coleta de água, poderiam ajudar os agricultores locais a aumentar seu armazenamento, o que  aumentaria a produtividade. O grande desafio é mobilizar o capital, tanto interno quanto externo.

O interessante para Brown é transmitir que as idéias ecologicamente sustentáveis são lucrativas e assim fazer com que as inovações gerem lucro e aproxime acionistas.

Muitas Organizações não governamentais trabalham nestas idéias.

Todos os meios de comunicação, especialmente a internet, são importantes para Brown, na tentativa de ampliar a idéia de que o “verde” é lucrativo.

Com o incentivo governamental para pesquisas e até com a ajuda de ambientalistas poderá se criar novos meios para o cultivo sustentável.

Mesmo Brown concluindo que já é tarde demais para impedir um aumento da temperatura pelo acúmulo dos gases que causam o efeito estufa,  ele acredita que não é tarde para impedir o descontrole. Basta reestruturar rapidamente a economia energética.

Muito embora estas idéias de que os biocombustiveis são negativos para o futuro vêm sendo eventualmente vistas como uma tentativa de não permitir que paises subdesenvolvidos se desenvolvam, é imprescindível saber que se agirmos rapidamente poderemos evitar o pior: o declínio econômico. É preciso além de tudo fazer uma análise sobre a capacidade de ingerência de cada país sobre seus recursos. Ou seja, qual o limite de intervenção externa para o combate á devastação e manutenção de recursos naturais.

Lester Brown (2003) é taxativo em afirmar que se conservarmos nossa economia ambientalmente insustentável ela entrará em colapso, e esta é uma opção feita por nossa geração que afetará a vida na Terra para as futuras gerações.

Assim ele conclui que antes deste colapso econômico acontecer devemos encontrar principalmente uma alternativa econômica. E deixa um alerta de Øystein Dahle,  que diz “que o fracasso de os preços falarem a verdade ecológica poderá solapar o capitalismo, da mesma forma que o fracasso de os preços falarem a verdade econômica minou o socialismo.” (BROWN, 2003).



Escrito por Gabriela Horvath às 11h39
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O CENÁRIO ATUAL BRASILEIRO EM BIOCOMBUSTÍVEIS E A ESCASSEZ HIDRICA.

A produção agrícola sempre esteve à margem no mercado internacional com produtos que não possuíam alto valor agregado, dificultando assim a captação de divisas.

 

Porém com o surgimento dos biocombustiveis, os paises com grande produção agrícola ficaram em voga e esta situação de marginalidade vem se revertendo.

Este fato faz com que os fundos de investimento cresçam com as apostas no mercado de commodities agrícolas.

O Brasil concentra duas principais características; grande quantidade de água e é um grande exportador agrícola.

            O agronegócio é o maior negócio brasileiro. “... corresponde a 34% do PIB e gera 37% dos empregos da nossa economia. É a maior fonte de divisas do País, respondendo por 42% das nossas exportações. Seu saldo comercial, em 2002, foi de US$ 20,3 bilhões, o maior saldo comercial agrícola do mundo” (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS USUÁRIOS DO TRANSPORTE DE CARGA, 2007).

          O Brasil já passou pelo período da borracha, do algodão, do café e está passando pela soja, porém a pauta de exportação deve ser diversificada e não de monocultura.  Pois por enquanto, o milho americano não é competidor do álcool, mas os norte-americanos estão investindo muito e dentro de pouco tempo vão existir outras vias tecnológicas que tornará a cana menos competitiva. Por esta razão, o Brasil deve investir cada vez mais em pesquisas para não se concentrar em um só produto como o etanol e acabar se tornando dependente apenas desta exportação (NASCIMENTO, 2005).

 

No final dos anos 70, quando o governo brasileiro autorizou a mistura de etanol na gasolina, a idéia era reduzir as importações de petróleo, mas foi logo percebido que ele tinha importantes benefícios ambientais e sociais. Além disso, o etanol da cana-de-açúcar no Brasil custa menos, mesmo considerando a taxa de importação.

Embora as vantagens de estar em evidência no mercado internacional são levantadas, há muitos que afirmam o lado negativo. Estas afirmações geram conceitos de o Brasil estar entrando em uma nova forma de dominação deixando seu campo de pesquisa à mercê de estrangeiros que não compartilharam suas descobertas, assim como sendo fornecedor de  água via produtos agrícolas para o mercado internacional, não ganhando o justo por isso e ainda deixando a população brasileira desprovida de seus recursos naturais.

As inovações biológicas, químicas ou mecânicas, contribuem para a maior produtividade da agricultura, o que gera a redução de custos de produção e, conseqüentemente, resulta em preços reduzidos ao consumidor. E essa tendência de preços declinantes é fundamental para a distribuição de renda, pois libera a renda das classes menos favorecidas para a compra de outros bens, e também contribui com a saúde e a nutrição da população, aumentando as oportunidades de emprego. Nesse sentido a agricultura contribui para a inclusão social.

 

O bom desempenho dos produtos agrícolas brasileiros no mercado externo beneficiam também algumas empresas que concentram seus negócios enquando os produtos ainda sequer foram semeados. É o caso do crescente setor de máquinas agrícolas.

Do ponto de vista institucional é possível verificar que o Brasil propõe postulados de agricultura sustentável, entendida como aquela que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazer suas próprias necessidades”. Isso é verificado com a manutenção a longo prazo dos recursos naturais e da produtividade agrícola o mínimo de impactos ao meio ambiente; otimização da produção com técnicas como a biofertilização satisfação das necessidades humanas de alimentos e renda e atendimento às comunidades rurais.

Devido ao crescimento das exportações muitos especialistas comprovam que o agronegócio brasileiro tem se mostrado um propulsor da economia, apesar de os meios de transportes não se demonstrarem tão eficientes e deixarem assim o produto mais caro.

O Brasil vem  demonstrando ser um dos maiores exportadores de água do mundo na atualidade (ENCONTRO DA ANPPAS, 2006). O fato se concretiza, pois a geração de energia elétrica brasileira é essencialmente hidrelétrica, o que torna o volume de água virtual ainda maior para a produção brasileira. Sendo assim, as hidroelétricas não devem ser privatizadas, pois desta forma o país continua mantendo o domínio sobre seus recursos ao invés do capital privado. Além da exportação de água virtual via produtos agrícolas, a transferência de recursos hídricos do Brasil para outras nações causa outras implicações, pois o Brasil é afetado por secas regionais e periódicas.

          No Brasil, utiliza-se cerca de 63% de água doce para irrigação. Irrigação esta que está voltada para a produção de grãos, frutas para exportação e cana para produção de álcool e açúcar (MALVEZZI, 2005).

Segundo Roberto Malvezzi, as duas maiores corporações de recursos hídricos no mundo são as multinacionais francesas Vivendi e Suez, fato que não ocorreria sem a permissão das autoridades públicas. Esse tipo de permissividade atualmente se dá pelas parcerias público-privadas. Um serviço público gerido pelo setor privado torna-se cobiçado para o hidronegócio.

Pare se ter idéia do valor da água podemos perceber que o valor de um litro de água no supermercado é praticamente o preço de um litro de gasolina.

Malvezzi relata que as empresas que mais utilizam água são a Coca-Cola e a Nestlé. A Nestlé por ter adquirido o direito de uso dos mananciais da região hidromineral de São Lourenço, Minas Gerais, pressionou de tal forma certos mananciais que acabou por eliminá-los. A partir daí a Nestlé adotou uma série de procedimentos de desmineralização de um tipo de água, inclusive de forma ilegal.

No Brasil, o uso da água para a agricultura é mal planejado e por não adotar um método de controle da irrigação, o produtor rural acaba utilizando água em excesso, resultando também em um desperdício de energia desnecessária com os bombeamentos de água.

A regulamentação do uso mundial da água via organismos internacionais como a ONU seria um meio para uma política de conscientização para o uso de produtos que demandem uma quantidade de água menor. Mas muitos especialistas no assunto lembram que apesar de a política estrutural do FMI e do Banco Mundial fomentar programas de privatização de água, não é uma boa opção permitir que o domínio sobre as águas seja de interesse privado, pois o ideal destas empresas é o lucro, visualizando a água como artigo comerciável e sentindo-se de certa forma desobrigadas a ceder um bem inerente de um direito humano.

No Brasil a disponibilidade de água se concentra muito mais na região norte do país do que nas já estabelecidas regiões de produção agropecuária do sul, sudeste, nordeste e centro-oeste.  Porém, seria danosa a divisão de produção determinada apenas pela abundância ou escassez de recursos hídricos.

Segundo Jales (2007), o Brasil está entre os paises que menos importam produtos agrícolas do mundo e suas importações estão concentradas no Mercosul.

 

Os principais compradores dos produtos agrícolas brasileiros são: China (20%), Rússia (14%), Irã (7,5%), Arábia Saudita (5%), Coréia do Sul (3,5%) e Argentina (3,2%).

Muitas empresas estrangeiras estão pretendendo manter ligação com o Brasil frente à produção de biocombustiveis, entre elas a portuguesa Galp Energia.

A idéia de Brasil e União Européia se unirem para promover a produção de biocombustível na África é desaprovada por muitos estudiosos inclusive pelo sociólogo português Boaventura de Sousa Santos ("As Pessoas Não Comem Biocombustível”..., 2007).

 

Ele não descarta que se trata de uma grande oportunidade de negócio, mas alerta que a África já sofreu muito com grandes incentivos de produção para exportação e o Banco Mundial sempre induziram os africanos a produzir para exportar. A África era auto-suficiente em produtos agrícolas e a partir da Segunda Guerra Mundial importa produtos agrícolas e é uma sociedade mais rural devido a esta política. Além disso, a monocultura gera pobreza ("As Pessoas Não Comem Biocombustível...”, 2007). Mas é possível que com a maior capacidade de produção de biocombustiveis em paises pobres estas regiões ganhem atenção internacional e finalmente encontrarem soluções para suas necessidades locais.

O Brasil tem esperança de que a Europa tenha uma atitude diferente dos Estados Unidos. De qualquer forma, Boaventura defende que o Brasil represente os interesses latino-americanos. E com os europeus investindo no cumprimento de padrões ambientais rígidos, ampliarão a importação de biocombustiveis de países como o Brasil. Principalmente pelos programas que visam a entrada livre de impostos e cotas em seu mercado para este tipo de produto.

Porém mesmo com muitas dúvidas a respeito dos efeitos nocivos que os biocombustiveis podem causar, a Petrobrás, que pode ser considerada uma empresa estratégica para o Brasil, já se envolve com programas de agroenergia. Apesar disso o que se nota é o crescente aumentou de lobbies pela flexibilização de licenciamento ambiental por parte de empreiteiros e grandes consumidores de eletricidade.

No Brasil há o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) que envolve a agricultura familiar, em especial a do pequeno produtor do sertão nordestino, porém o acesso que os grandes produtores têm ao crédito, por exemplo, não se compara a fontes de financiamento concedido aos pequenos.

De modo geral os programas de incentivo ao biodiesel seriam idealizados como um programa de inclusão da agricultura familiar que poderia chegar a destinar à agricultura a verba gasta com importação petróleo. Mas até o momento a agricultura familiar não se encontra totalmente inserida nos programas de incentivo e, além disso, ainda encontramos péssimas condições de trabalho na lavoura brasileira, assim como o trabalho infantil. É preciso saber se com a maior produção de biocombustível a situação receberá maior importância ou continuará sendo negligenciada.

A inserção internacional do Brasil em relação aos biocombustiveis está tão concreta que a Inglaterra anunciou a criação de um fundo com o objetivo de adquirir 51% das usinas brasileiras produtoras de etanol e até a Secretaria de Agricultura do governo americano recomendou em seu site as melhores regiões do Brasil para se adquirir terras para a produção de energia (REYNOL, 2007).

Os Estados Unidos afirmaram, certa vez, que o Brasil seria capaz de suprir cerca de 65% da demanda mundial do diesel com o biodiesel.
            O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem apoiado os biocombustiveis e descarta os atuais comentários de possibilidade da redução de alimentos e devastação da Amazônia para o plantio. (ROCHA, 2007). Até porque acredita que os biocombustiveis ajudará no desenvolvimento econômico de países pobres, mas para isso considera ser necessário a eliminação de pesadas alíquotas que não se aplicam nem ao petróleo.

O Brasil possui pioneirismo na patente mundial do biodiesel que foi registrada em 1980 por um professor da Universidade Federal do Ceará (Pólo Nacional de Biocombustiveis - ESALQ/USP, 2007). Além disso, em 1984 ocorreu o primeiro vôo do mundo movido a um combustível sem uma gota de petróleo. Este avião decolou em teste no Brasil, na cidade de São José dos Campos (PAI DO BIODIESEL DIZ QUE SOL É A ENERGIA DO FUTURO, 2007). 

Se por um lado, o enfoque nos biocombustiveis e o aumento das exportações agrícolas consolidam a posição estratégica do Brasil dentro da economia internacional, a questão é saber quais são os impactos ambientais envolvidos no avanço das exportações destes produtos, e avaliar o papel do Brasil no cenário internacional de uso da água.

Para que possa haver alguma melhoria na situação brasileira, muitos defendem uma mobilização social e o fim dos subsídios, inclusive para tarifas de energia elétrica.

Em todo o Brasil, estatísticas não oficiais acusam a existência de 700 mil poços artesianos clandestinos, também por esta razão, embora a questão de gestão dos recursos hídricos se mostre complexa, especialistas acreditam que possivelmente uma cobrança com tarifas diferenciadas por tipo de consumo seria a solução para conscientização do uso da água.

Mas é importante salientar que há indicações de que o uso de água na agricultura pode ser reduzido à metade, se adotadas políticas adequadas de proteção aos mananciais. Assim, deve-se compreender a importância de implementar políticas públicas, pois do contrario, estaremos subsidiando o poder econômico e político de quem controlar as “reservas” de água.



Escrito por Gabriela Horvath às 11h35
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A UTILIZAÇÃO DOS RECURSOS HIDRICOS NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA.

Água é essencial a todos os organismos vivos, incluindo os seres humanos, para beber e entre outras utilidades, para produção de alimentos “Mas o consumo de água para agricultura freqüentemente não é sustentável e esgota reservas de aqüíferos subterrâneos e degrada os ecossistemas” (Movimento GAIA, 2005).

 

Quanto maior a escassez hídrica, mais caro se torna os alimentos e maior sua necessidade de importação. Assim, um problema de escassez hídrica apresentada em um país, tornasse mundial devido ao comércio internacional.

Wulf Klohn e Bo Appelgren (1999) explicam que a crise da falta de água mundial ocorre devido ao crescimento demográfico e “desenvolvimento” econômico, que por sua vez necessita de quantidade cada vez maior de recursos naturais, modificando assim todo o ecossistema. Caso que ocorreu com a China, onde o país passou de auto-suficiente para um dos maiores importadores de alimentos. Apesar disso, até o momento a China possui capital suficiente para importar tudo o que for preciso para suas “deficiências” internas.

A partir do momento que a conscientização das questões ambientais e do valor econômico de ecossistemas se tornaram mais evidente, as reivindicações por água cresceu. Nesse sentido se tornou cada vez mais importante rever os acordos entre países ripários (aqueles que possuem um mesmo rio em suas divisas), pois os acordos especialmente de exploração são muitas vezes descumpridos.

Os autores também salientam que o subsídio ao uso da água que foi cedido na Europa durante anos, não levou em consideração o custo da conservação de recursos naturais. Tais proteções ao investimento e uso da água beneficiariam também aquelas empresas que investem em terras a fim de extrair água da fonte para ser engarrafada.

Para citar um exemplo, na Europa, um litro de água potável tratada e entregue pelas prefeituras custa em média 0,08 euro, enquanto um litro de água mineral custa em média 0,40/euro, sem contar o prejuízo da poluição causada pelas garrafas de vidro e de plástico  (MCGRANTH, 2007).

Este fato nos leva a verificar que as empresas comercializam essas águas, ao preço que bem entendem, obtendo grandes lucros e levando o benefício apenas a quem pode pagar.

Para a agricultura, perder o aceso a água barata traz redução de área produtiva, perda de viabilidade econômica e perda de qualidade devida à necessidade de utilização cada vez maior de agrotóxicos, que por conseqüência contaminam os lençóis freáticos.

O déficit hídrico é também encontrado em regiões intensamente povoadas e não somente em desertos. Isso se deve ao fato de que há grande concentração de demanda. 
                   Em Cochabamba na Bolívia, os agricultores perfuraram seus próprios poços e utilizaram a água com base num sistema de direitos de propriedade.  Este fato gerou vários dias de violência e fez surgir à questão de quem realmente é o “dono da água” e se os direitos e interesses privados são capazes de se sobressaírem aos direitos e necessidades sociais.

Há vários fatores envolvidos em conflitos hídricos como fatores legais, de natureza técnica do problema, até a qualidade da água e custos da solução.

A questão dos custos da solução é um nos maiores limitadores, pois além da falta de recurso de alguns países, a questão também se concentra em quem custeará as novas tecnologias de solução. Isso ocorre tanto no âmbito interno a respeito da responsabilidade Estatal ou privada, como no âmbito internacional da decisão de qual país deve arcar com os custos ou se é proveniente de capital privado.

                                    “Nove países dividem cerca de 60% das fontes renováveis de água doce do mundo. São em ordem de quantidade hídrica: Brasil (6.220 bilhões de m3), Rússia (4.059 - sempre em bilhões de metros cúbicos), Estados Unidos (3.760), Canadá (3.290), China (2.800), Indonésia (2.530), Índia (1.850), Colômbia (1.200), Peru (1.100). Em seguida, vêm os quinze países da União Européia: 1.171 bilhões de m3.
De outro lado, existem países em situação muito precária como: Kuwait e Bahrain (quase sem recursos), Malta, Gaza, Emirados Árabes, Líbia, Singapura, Jordânia, Israel e Chipre.
Os grandes consumidores de água (somando todos seus usos) em km3 ao ano são: Índia (552), China (500), Estados Unidos (467), União Européia (245), Paquistão (242) e Rússia (136)” (A GUERRA PELA ÁGUA, 2007).
 

 

  O Japão, por exemplo, tem seu consumo agricola em 40% provenientes da produção interna e 60% de importados. Porém a taxa de produção, segundo especialistas, cairá para 5% em poucos anos devido ao envelhecimento da população e da evasão da mão-de-obra do campo.

Atualmente, há forte preocupação de boa parte dos consumidores e do Estado japonês para com a segurança alimentar. Isso ocorre, pois  estudos japoneses demonstram que a origem de muitos problemas de saúde é decorrência da ingestão de resíduos de agrotóxicos nos alimentos convencionais. Os produtos largamente importados da China, são considerados muito contaminados. Está havendo uma mudança dos hábitos alimentares no Japão e no gosto de todos os consumidores mundiais de modo geral. Esse tipo de consumo teve origem num movimento iniciado nos anos 70, que buscava alimentos mais saudáveis (Instituto de Economia Agrícola – IEA, 2004).

A concepção de “água virtual” (“virtual water”), especialmente nas commodities agrícolas é utilizada por cientistas para calcular a quantidade de água necessária para produzir um determinado bem. Assim, os países devem levar em consideração o volume de água embutida em suas exportações e importações. Para alguns países, a importação de “água virtual”, sob a forma de produtos agrícolas de que necessitam mas que exigem muita água, pode ser economicamente mais viável do que serem cultivados em seu território.

 

           O cultivo de grãos representa cerca de 67% do mercado global de água virtual. Dentro deste percentual, somente o trigo tem a parcela de 30% (FOLHA DO MEIO AMBIENTE, 2006).

 Se esta água virtual fosse cobrada diretamente, seria inviável comercializar qualquer tipo de produto agrícola. É preciso ressaltar que cada tipo de cultivo exige um volume de água maior ou menor, porém de qualquer forma a agricultura utiliza um volume de água muito maior que a indústria e o uso doméstico.

 

A escassez hídrica e a necessidade de importação de alimentos agrícolas, trás a dependência de certo tipo de produtos que a população local não estava acostumada a consumir, tendo assim de mudar seus hábitos de consumo.

A idéia de transportar água está crescendo em investimentos entre as corporações que esperam lucrar com a escassez de água. Isso representa grande oportunidade de lucro para as corporações, mas uma ameaça para os governos que tentam proteger seus recursos hídricos da exploração. “Enquanto o GATT abre uma exceção para a conservação de “recursos naturais esgotáveis”, a maior parte dos recursos hídricos é categorizada como renováveis e não como esgotáveis” (CAPLAN, 2007).

 Mesmo com a atual capacidade de se aproveitar a água em todos os seus estados, como vapor, por exemplo, e evitar que chegue ao mar e se salinize ou evapore, o aumento na produção de bens ainda é maior que a capacidade de se obter água. Mesmo assim a China não pára de produzir especialmente produtos industrializados degradando desta maneira o meio ambiente. 

Quanto menor for a disponibilidade hídrica em um país ou região, maior o valor dos bens e produtos em razão da utilização de água virtual.

Hoje há as culturas hidropônicas que são uma grande alternativa para produções consideráveis em terrenos de pequena extensão e gerir melhor os gastos de água e pesticidas, pois para este cultivo não se utiliza terra, os produtos são exclusivamente desenvolvidos na água (Confederação Nacional de Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal - CONFIAGRI , 2005).                               

Alguns pesquisadores consideram que para diminuir a escassez hídrica seria necessário basear a produção agrícola correspondendo primeiramente ao mercado interno e apenas importar o que não se pudesse produzir internamente. Este fato ajudaria também na criação de empregos, mas estas idéias são freqüentemente interpretadas como fora da realidade econômica globalizada, onde o ideal é o que é mais lucrativo.

                                          “O sistema francês de gestão dos recursos hídricos é um dos principais exemplos internacionais do emprego do Princípio do Poluidor Pagador. A taxa cobrada dos agentes poluidores franceses - a redevance - é determinada através do volume de poluição lançado ou na degradação gerada sobre os corpos d’água. É importante frisar, contudo, que o lançamento de poluentes é livremente permitido, sendo a aplicação da referida taxa uma das alternativas utilizada pelos gestores franceses para inibir a ação dos agentes poluidores” (REYDON e CAVINI, 2000 apud MARTINS e VALENCIO, 2003). 

            Os subsídios vão de encontro a estes princípios de cobrança, que é o da conscientização do uso da água em caráter eminentemente educativo.

Como se pode perceber, a tendência é manter medidas de política ambiental com caráter proibitivo preocupadas com o aspecto preservacionista e não incentivadores.

Um aumento nos custos de produção com a implantação da cobrança pelo uso da água, por exemplo, dificilmente acabará repassado, pois seria um aumento de preço altíssimo para o consumidor dificultando sua compra de alimentos.

A valoração dos recursos hídricos mantém a atenção dos principais instrumentos de gestão de águas em nível internacional. Em conseqüência, se os agentes econômicos mantiverem seus comportamentos de acordo com padrões socialmente desejados, a sustentabilidade da produção agrícola será uma conseqüência.

Há países que são chamados de exportadores e outros que são chamados de importadores de água virtual. No caso da importação, isso significa que há um volume de importação de água virtual muito maior em comparação ao volume que é exportado, mas não significa que um país considerado importador também não exporte água virtual.

 

O maior importador de água virtual é o Siri Lanka e o maior exportador é os Estados Unidos.

O maior importador de grãos é a região da África do Norte e Oriente Médio, área que inclui Marrocos, Argélia, Tunísia Líbia, Egito e países a leste até o Irã, conseqüentemente regiões que sofrem com escassez hídrica.

Em relação à exportação de “água virtual”, os Estados Unidos ocupam a primeira posição, o Brasil, o décimo lugar (HOEKSTRA AND HUNG 2002 APUD NASCIMENTO, 2007).

O trigo europeu contem subsídios, o que faz seu preço ficar menor do que o de produtos similares produzidos pelos países importadores. Como os países pobres da Africa, por exemplo.

 

Nesse sentido é crucial desenvolver métodos que assegurem água para pessoas e ecossistemas. “Quase 300 milhões de pessoas em África estão agora sem acesso à água potável. Objectivos do Milênio visam reduzir este número pela metade em 2015. Quase todos têm acesso à água. Esta pode se tornar potável com o uso de filtros cerâmicos tratados com prata, produzidos localmente a um custo anual de $0.6/pessoa - ou menos do que $ 200 milhões anualmente, e mais 200 milhões para disseminar a tecnologia - dos $ 5 bilhões em fundos de auxílio actualmente utilizados para água & saneamento nos países em desenvolvimento” (O MOVIMENTO GAIA, 2005) 

 

Mesmo com novos métodos de uso e obtenção de água, positivamente a mentalidade das pessoas tende a mudar, mas em conseqüência tende a mudar também seus hábitos e culturas alimentares para produtos menos consumidores de água.

 



Escrito por Gabriela Horvath às 11h31
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OS BIOCOMBUSTÍVEIS E A PRODUÇÃO AGRICOLA.

Atualmente os biocombustiveis se tornaram  alternativa de solução para a crise energética, já que as reservas de petróleo estão se reduzindo.

 

Segundo a enciclopédia virtual Wikipedia podemos entender como biocombustível (BIOCOMBUSTÍVEL, 2007), qualquer combustível de origem biológica e não fóssil originado de uma ou mais plantas como a cana-de-açúcar e até do lixo orgânico.

Segundo a mesma enciclopédia atualmente existem dez tipos de biocombustiveis sendo produzidos com a biomassa (fonte de energia originada de materiais orgânicos) . Os mais populares são: o etanol, o biodiesel produzido com óleos vegetais ou animais; o bioéter; o óleo vegetal e o biogás produzido a partir de biomassa e ou da fração biodegradável de resíduos, que pode ser purificado, se tornando semelhante à qualidade do gás natural.

Os grandes investidores financeiros e tecnológicos do biocombustível defendem a desoneração tributária, para que o produto comece a ser competitivo. Até o momento esse tipo de combustível tem sido defendido como menos poluidor que os combustíveis fósseis e que, além disso, aumentam os ganhos com a exportação especialmente tratando-se de países menos desenvolvidos e já exportadores de produtos agrícolas.

Apesar destes argumentos, a implantação do biocombustível sustenta opiniões divergentes, isso se deve especialmente ao fato da escassez de recursos hídricos e do aumento dos preços de alimentos decorrentes da produção agrícola para geração de biocombustiveis. Em relação a este último item, Lester Brown (1995), chama a atenção para a China. Indica que o país desencadeará um aumento de preço nos alimentos sem precedente histórico. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) se posiciona a favor da idéia de que o custo da importação de alimentos em escala mundial baterá novo recorde devido à forte demanda de biocombustiveis. “O gasto mundial pela importação de alimentos pode superar os US$ 400 bilhões em 2007, o que supõe um aumento de 5% com relação ao recorde alcançado no ano anterior, segundo o último boletim sobre perspectivas alimentares da organização... As maiores altas - de 13% em relação a 2006, foram observadas no preço dos cereais secundários e dos óleos vegetais, que são os produtos mais utilizados para obter biocombustiveis” (O GLOBO ON-LINE, 2007).

 

  A China para o autor é uma ameaça mundial, pois sua população não pára de crescer e a demanda por alimentos e recursos naturais para produzi-los será extremamente superior ao que o mundo poderá fornecer.

 Lester (1995) explica que enquanto a água está cada vez mais escassa, ao mesmo tempo mais da metade dos grãos são irrigados. Além disso, a população cresce, as áreas cultiváveis diminuem com a construção de cidades e a água é preferencialmente destinada á industria, onde o maior lucro da economia é gerado. A população chinesa, por exemplo, cresce o equivalente a uma nova Pequim a cada ano.

A partir do momento em que o Japão começou a importar grãos, o mundo suportou, mas a partir do momento em que a China começar ferozmente a importar, o mundo talvez não será capaz de suprir a demanda e o valor dos alimentos começarão a aumentar.

Há de se levar em consideração que o aumento do preço dos alimentos é um círculo vicioso que levaria ao aumento da alimentação para animais refletindo assim também no custo da carne. 

Nas ultimas décadas observamos um êxodo rural em direção à cidade, é possível que com o biodiesel em voga ocorra um fluxo oposto. Exemplo disso é o aumento de pesquisas na área, onde a cada dia novas formas de criação de energia são descobertas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, é desenvolvido biocombustível do açúcar das frutas (MCGRANTH, 2007). Não se sabem quais os efeitos nocivos ao meio ambiente que esta forma de combustível pode causar, mas é com certeza menos volátil que o etanol.

Outro exemplo são os estudos realizados na Grã-Bretanha, onde se identificou a possibilidade de criar biodiesel de uma gama de materiais, entre eles o saco plástico. Estas novas alternativas geram expectativa para o não saturamento da agricultura para a criação de combustíveis no futuro (MCGRANTH, 2007). 

Até mesmo nos EUA, um país que não se comprometeu com o Protocolo de Kyoto, há movimentos principalmente no setor privado para reduzir as emissões de gases poluentes.

Estudo realizado pelo Instituto do Meio Ambiente da França (IFEN) mostra que o biodiesel usado em substituição ao diesel permite a redução de 75% das emissões de gases do efeito estufa durante todo o ciclo de vida do combustível, que vai da produção à combustão, porém no momento em que a França se prepara para ser a maior fabricante de biocombustiveis da Europa até 2010, os defensores do meio ambiente do país expressaram não ser uma opção totalmente viável devido a outras formas de degradação que tal combustível causaria ao meio ambiente.  (GREENPEACE.., 2006)

Portanto, embora a expansão da produção de bioenergia seja de grande interesse para empresas do ramo, já que atingirão seus lucros com o ideal de fontes de energia “limpa”, há estudos que contradizem os benefícios da bioenergia, pois indicam que os biocombustiveis são tão poluentes quanto os combustíveis fósseis, sendo assim igualmente ameaçadores ao meio ambiente. Estes estudos apontam que, quando são queimados os dióxidos de carbono que as plantas absorvem quando se desenvolvem nos campos é devolvido à atmosfera. Situação que se agrava quando os biocombustiveis são produzidos em um país e exportados para outro.  A produção em massa do óleo de palma (palmeira do dendê como é conhecida no Brasil), já causou a devastação de grandes extensões de florestas na Colômbia, Equador e Indonésia. Na Malásia, maior produtor mundial de óleo de palma, 87% das florestas foram devastadas (MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM – TERRA - MST, 2007).

Pode ser percebido muito investimento financeiro para a área privada, como exemplo na Colômbia onde a Corporação Interamericana de Investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento estuda o financiamento de US$ 20 milhões para uma empresa de biocombustível de óleo de palma com capacidade para produzir até 100.000 toneladas de combustível por ano. Já na Costa Rica e em El Salvador, o BID está financiando estudos de viabilidade e assistência técnica em áreas como regulação, desenvolvimento de mercado e educação pública para ajudar os governos de ambos os países a alcançar sua meta de substituir 10% de seu consumo atual de gasolina por etanol (FIORI, 2007).

Não podemos deixar de lado a questão logística destes novos combustíveis, pois até mesmo para exportá-los seria necessário um maior gasto com o combustível no transporte.

Segundo Lester Brown (2003), as empresas de combustíveis fósseis podem adotar uma entre duas alternativas: ou tentar manter o status-quo de suas empresas, ou considerar as novas formas de energia idealizada com a atual situação climática como uma nova oportunidade de investimento. Estas empresas podem se tornar assim, empresas de energia e não de petróleo.

 O autor cita que nos Estados Unidos, o grupo Global Climate Coalition (GCC), foi formado por empresas que desejavam resistir à reestruturação da economia energética global.

“Na contra-mão do Protocolo de Kyoto, a GCC engajou-se numa campanha maciça de desinformação, objetivando confundir a população americana sobre o problema urgente da mudança climática” (BROWN, 2003).

Em 1999, a Ford Motor Company retirou-se da GCC. Até que sucessivamente, nos primeiros meses de 2000, a DaimlerChrysler, Texaco e General Motors (GM) anunciaram sua saída do grupo, pois algumas destas corporações não só já  visualizavam a eco-economia como também já começavam a construí-la.

Brown (2003) ilustra que a Royal Dutch Shell e DaimerChrysler lideram um consórcio corporativo que colaborava com o Governo da Islândia para transformar o país na primeira economia mundial movida a hidrogênio.

O professor Antonio Thomaz Jr. explica que a Venezuela tem a balança comercial absolutamente vinculada ao petróleo. E seu vinculo comercial com os Estados Unidos tem um peso muito forte, interna e externamente. Então o professor acredita que inicialmente a Venezuela não abriria mão de sua matriz energética  (O EXEMPLO..., 2007).

Este fato, dentre outros, nos demonstra até que ponto os interesses econômicos sobressairão aos interesses e necessidades da humanidade, onde o desfrute da natureza é direito de todos, e exige uma preservação de recursos naturais aliada à manutenção do lucro de grandes instituições.

 

 



Escrito por Gabriela Horvath às 11h15
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Agricultura Atual e sua Influência na vida Humana.

 Desde os primórdios o homem foi capaz de utilizar a natureza a seu favor, conhecendo e usufruindo o que ela poderia lhe proporcionar.

As estações lhe indicavam o que plantar e quando colher. Assim o homem conseguia sobreviver retirando da natureza tudo aquilo de que precisava. Hoje, com a alteração climática e o avanço tecnológico, já não há uma época exata para o plantio.

Conforme o desenvolvimento da economia capitalista, o homem não retirava mais da natureza apenas o que precisava, retirava também o que não precisava para poder acumular os recursos naturais e assim vendê-los. O importante já não era mais satisfazer as necessidades físicas, mas ganhar algo material chamado dinheiro.

Com o dinheiro o homem era capaz de comprar o que quisesse e assim obter todos os recursos que por sua vez provinham da natureza.

Quando a água passou a ser considerada como bem econômico passível de valoração monetária, por exemplo, começou se a implementar o valor da moeda aos recursos indispensáveis para sobrevivência do homem.

Hoje, vive-se na economia capitalista, mas o dinheiro não pode comprar tudo o que se precisa e nem tudo o que deseja, pois o dinheiro não pode comprar o que já se extinguiu.

O analista de meio-ambiente Lester Brown (2000) defende que a questão não é deixar de lucrar, mas sim construir uma forma de economia em que o progresso possa continuar com meios alternativos para o uso da natureza.

Atualmente, a biomassa como geradora de energia (derivada de organismos vivos) está em pauta e é possível que no futuro outras formas de energia possam surgir, mas até lá o uso de produtos agrícolas para a geração de energia pode causar danos ao meio ambiente.

Brown (2000) segue explicando que se a China tivesse um carro ou dois em cada garagem, como nos EUA, eles consumiriam 80 milhões de barris de petróleo pôr dia. O mundo produz atualmente, 72 milhões de barris. Além disso, para construir as vias e estacionamentos necessários, seria preciso pavimentar uma área equivalente à metade dos hectares de terra que atualmente produzem arroz, seu alimento principal.

Assim Brown conclui que não devemos pensar em quantas pessoas terão carros, mas em como lidar com a questão da mobilidade. O biocombustível, para Brown, não seria a solução viável, pois teremos que escolher entre o uso da agricultura para produzir combustível ou alimentos.

Pelo fato de as cidades não serem naturalmente sustentáveis, elas necessitam de concentrações de energia, água, alimentos e materiais provindos de outras regiões.         “Historicamente, desde o início da revolução Industrial, os que viviam nas cidades tinham a vantagem econômica, pois controlavam a tecnologia e o capital. Mas, no futuro, se água e terras ficarem escassos, aqueles que controlam terras e água, a população rural, e não a urbana, terá vantagem” (BROWN, 2000).

 

Em Eco-Economia, Brown (2003) indica que a utilização dos lençóis freáticos na agricultura é maior do que a capacidade natural de acúmulo destas águas, especialmente nos três principais países produtores de alimentos: China, Índia e Estados Unidos. O Colorado, o principal rio do sul dos Estados Unidos, hoje mal chega ao mar. A solução então é a importação de grãos.

Como exemplo ele cita o Egito, que é totalmente dependente do rio Nilo, pois as chuvas são muito escassas e atualmente importa 40% do seu consumo de grãos. Além disso, sua população, está estimada a dobrar até 2050.

Outras bacias fluviais onde a competição pela água está se intensificando incluem as de Mekong (provedor de água para o Camboja, Laos e Vietnã), Jordão (entre Israel, Jordânia e os Palestinos) e do Ganges (Índia). No caso do Ganges, se a Índia utilizasse toda a água que deseja, talvez o Ganges não atingisse Bangladesh durante a época de estiagem, porém já há um tratado sobre o assunto.

Assim, ele explica que além das perdas de água de irrigação devido à exaustão dos aqüíferos, há o desvio de água para as cidades e indústrias, onde a agricultura permanece em desvantagem na medida em que as pessoas estão sendo alimentadas com grãos produzidos com o uso insustentável da água, ou seja, se alimentando com a água que deveria pertencer ao futuro.

Cerca de 70% da água consumida mundialmente, incluindo os lençóis freáticos, são utilizados para irrigação. Aproximadamente 20% vão para a indústria e 10% para as residências. Na China a competição pela água também prioriza os centros urbanos e as industrias.

                                    “Num país buscando desesperadamente o crescimento econômico e os empregos que gera, o ganho no desvio da água da agricultura para a indústria é óbvio... à medida que a população rural nos países em desenvolvimento, tradicionalmente dependente do poço da aldeia, muda para prédios residenciais urbanos com água encanada, o consumo pode facilmente triplicar” (BROWN, 2003, p. 70) 

 

Se todos os países decidissem hoje acabar com a extração excessiva de água e estabilizar os lençóis freáticos, a colheita mundial de grãos se reduziria drasticamente e os preços disparariam. 

A indústria paga pela água cerca de 50 a 100 vezes mais do que a agricultura. Por isso “onde quer que crescimento econômico e geração de empregos sejam o foco principal dos líderes políticos, a água escassa provavelmente irá para a indústria” (BROWN, 2003, p. 239/240). Porém as indústrias poluem as águas com a liberação de quilos de produtos tóxicos solúveis na água. Estas toxinas se infiltram no solo e poluem os aqüíferos. Estas substâncias ultrapassam fronteiras nacionais e internacionais de forma que deverão ser combatidas com estratégias comuns.

O aumento pela demanda de alimentos pode afetar as áreas de preservação florestal. O que gera desmatamento, queimadas, o sucessivo aumento da temperatura global e conseqüentemente a diminuição de água no planeta.

A falta de água leva à erosão do solo, fato que pode ser constatado pelos povoados da Etiópia, onde não restou solo suficiente nem mesmo para a agricultura de subsistência.

Perante esta situação há a criação de novos produtos químicos para tornar os produtos agrícolas mais resistentes. Elevar a produtividade das terras cultivadas seria uma alternativa para salvar as florestas mundiais, pois do contrário, como afirmar Lester Brown: “a escassez de água em pouco tempo se transformará em falta de alimento” (BROWN, 2003, p. 72).

Brown (2003) indica que a civilização Maia desapareceu devido ao fracasso de suprimento de alimentos. Esta escassez por sua vez, pode ter provocado conflitos civis entre as diversas cidades maias na competição por alimentos.

Esta não é a única civilização que desapareceu aparentemente porque seguiram um caminho econômico ambientalmente insustentável. Nós também estamos caminhando nesta mesma direção, porém as antigas civilizações não faziam idéia da existência umas das outras e assim entraram em colapso isoladamente. Mas hoje, numa economia global integrada, um colapso em um país ou região afetará a todos. Caso isso ocorra levando em consideração o aumento populacional, haverá uma dificuldade maior em alimentar bilhões de pessoas a mais.

                                           “Estamos aprendendo que o modelo de desenvolvimento industrial do ocidente não é viável para a China, simplesmente porque não há recursos suficientes para tal. Como também a economia energética baseada em combustíveis fósseis não irá fornecer a energia necessária, simplesmente porque a produção mundial de petróleo não está projetada a crescer muito acima dos níveis atuais nos anos futuros... era em que o capital criado pelo homem representava o fator limitador do desenvolvimento econômico (um mundo vazio), para uma era em que capital natural, cada vez mais escasso, o substituiu (um mundo pleno). Quando nossos números eram pequenos em relação ao tamanho do Planeta, o capital criado pelo homem é que era escasso”  (BROWN, 2003, p. 27).

 

 



Escrito por Gabriela Horvath às 11h11
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